segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Sentir de Novo e Mais Uma Vez
Restou um olhar baixo, perdido, mãos vazias, apertadas em punho. Sobrou desorientação, uma estrada vazia a frente, uma resenha para trás. Disseram-me que tudo dependeria do próximo passo, não que ele fosse certo ou errado, mas eu recomeçaria mais uma vez, sabendo que muitos "re" ainda viriam, por isso não deveria pensar ser fácil, mas pensar ser possível. O meio termo existe, e existe para que por vezes seja usado, que assim partes do nosso corpo não pereçam, que o sono venha em sua hora certa e que horas com pessoas queridas não fossem gastas com pensamentos longes. Radicalismo. Agarro-me, puxo, respiro fundo, reavalio, tento esquecer mais uma vez, desligo-me de qualquer pensamento, por tempos, por medos, por saudades, por respeitos, por outros ares. E eu cresço, aumentando a cortina de ferro, lapidando vontades, interceptando pudores, reconhecendo... Caminhar para frente tentando não olhar pra trás é como tapar os olhos na pior cena de terror do filme: tu sempre espiarás! Não há de ser ruim, há de ser história.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
A Força do Explorado
Realidade que me resume a mais duas mãos de obra
Me usa, me gasta e me adoece
Consome o tempo, arranca-me a vida
Que responde sempre à concorrência
Estou sem alma, mas há mãos
Estou sem alma, mas sobrevivo
Estou sem alma, mas estou servindo
Estou sem alma, mas devo terminar o expediente.
Mais! Mais! Mais!
Grita a voz que mesmo calada, se faz ouvir
Que desafia sem gratificação final
E de prêmio veste as migalhas salariais
Somos nada e somos substituíveis
A substituição deve ser rápida para que o desperdício seja pouco
Que desapegada seja a máquina-homem da máquina-máquina
Que juntos produzam, mas esqueçam do que é produzido
Ainda que rolem dedos ou se forme o câncer
Ouve-se gritos: Mais! Mais! Mais!
O homem do primeiro turno já foi
Mas o do segundo turno precisa fixar o grito.
Os verdadeiros donos da produção não tem nome
Estão em maior número e força
Estão no pico de qualquer esforço
Mais ainda assim são vistos como força de trabalho, apenas
Espero o dia em que bravos homens
Que não enfraquecem por não terem o direito
Saibam que tem todo o direito sobre tudo que produzem
E são donos de suas almas, do seu descanso e deste mundo que os explora.
Me usa, me gasta e me adoece
Consome o tempo, arranca-me a vida
Que responde sempre à concorrência
Estou sem alma, mas há mãos
Estou sem alma, mas sobrevivo
Estou sem alma, mas estou servindo
Estou sem alma, mas devo terminar o expediente.
Mais! Mais! Mais!
Grita a voz que mesmo calada, se faz ouvir
Que desafia sem gratificação final
E de prêmio veste as migalhas salariais
Somos nada e somos substituíveis
A substituição deve ser rápida para que o desperdício seja pouco
Que desapegada seja a máquina-homem da máquina-máquina
Que juntos produzam, mas esqueçam do que é produzido
Ainda que rolem dedos ou se forme o câncer
Ouve-se gritos: Mais! Mais! Mais!
O homem do primeiro turno já foi
Mas o do segundo turno precisa fixar o grito.
Os verdadeiros donos da produção não tem nome
Estão em maior número e força
Estão no pico de qualquer esforço
Mais ainda assim são vistos como força de trabalho, apenas
Espero o dia em que bravos homens
Que não enfraquecem por não terem o direito
Saibam que tem todo o direito sobre tudo que produzem
E são donos de suas almas, do seu descanso e deste mundo que os explora.
Depois da Visão
Existe muito no que pouco se vê,
E por tentar atravessar o campo não aparente
E por tentar atravessar o campo não aparente
Sinto-me incluída no todo que não faço parte
E demasiadamente sou tomada por isso que não sei denominar.
'Para de trabalhar', grita a cansada consciência
Exausta por realinhar há dias as mesmas informações
Em todos os sentidos, mesmo os sem nexos
Reciclando mais do que se pode o invisível.
Ainda me parece que foi de trás para frente
O começo pela ponta errada da corda
O adentramento mútuo, veloz demais, repentino demais
Quando a luz não aparece como um nascer do dia, mas é indelicado como ligar uma tomada.
Análises, reflexões, deformações, reestruturações
E já tanto faz como foi enfeitado o caminho
No qual um passo a mais, te faz distanciar dois
Onde avançar é retroceder, só seguir me faz esquecer.
(19-08-2011)
(19-08-2011)
terça-feira, 23 de outubro de 2012
* Olhar desatento, sem ver nada, úmido, espiando e procurando por razões do lado de dentro.
Sem pedir permissão a sua dona, eles mantiveram-se assim. Eu poria esses traços inteiros
tatuados em um lugar reservado, e faria desse teu silêncio o motivo d'eu querer ficar sempre
mais. Te entenderia, mesmo sem compreender, e pertencerias aos meus sorrisos radiantes
de felicidade.
* Todo esse pacote, tu arranca-me numa falta de atitude, quando me engradece, me inspira,
me faz acreditar que a normalidade chegou pra ficar, e horas depois aparece sem trazer nos
braços nem que seja um abraço, na boca palavras indiferentes, que me proíbo debater.
Como se em ti ou em mim ainda reinasse o espírito do desconhecido, e meu foco mantem-se
todo no esforço de consentir com um balançar de cabeça, tentando ser convincente, relutando
contra o turbilhão de ideias, que me indicavam levantar e sair dali o caminho seguro. Mas
não, essa seria minha saída da guerra , uma fuga indiscreta, e nesse conflito, a vitória fica
com quem mais se arrisca e menos sente (tecnicamente já havia um resultado).
* Tu me pusestes numa indecisão cruel, pessoas assim deveriam ter consigo uma placa
informando extrema incoerência. No entanto tenho um ponto de interrogação na frente do
nariz, que me faz patética, confusa e de mãos amarradas, querendo que no amanhã tu venhas
com algumas palavras significantes, esquecendo novamente que esse é mais um sinal de
derrota.
(17-02-2012)
Sem pedir permissão a sua dona, eles mantiveram-se assim. Eu poria esses traços inteiros
tatuados em um lugar reservado, e faria desse teu silêncio o motivo d'eu querer ficar sempre
mais. Te entenderia, mesmo sem compreender, e pertencerias aos meus sorrisos radiantes
de felicidade.
* Todo esse pacote, tu arranca-me numa falta de atitude, quando me engradece, me inspira,
me faz acreditar que a normalidade chegou pra ficar, e horas depois aparece sem trazer nos
braços nem que seja um abraço, na boca palavras indiferentes, que me proíbo debater.
Como se em ti ou em mim ainda reinasse o espírito do desconhecido, e meu foco mantem-se
todo no esforço de consentir com um balançar de cabeça, tentando ser convincente, relutando
contra o turbilhão de ideias, que me indicavam levantar e sair dali o caminho seguro. Mas
não, essa seria minha saída da guerra , uma fuga indiscreta, e nesse conflito, a vitória fica
com quem mais se arrisca e menos sente (tecnicamente já havia um resultado).
* Tu me pusestes numa indecisão cruel, pessoas assim deveriam ter consigo uma placa
informando extrema incoerência. No entanto tenho um ponto de interrogação na frente do
nariz, que me faz patética, confusa e de mãos amarradas, querendo que no amanhã tu venhas
com algumas palavras significantes, esquecendo novamente que esse é mais um sinal de
derrota.
(17-02-2012)
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