Realidade que me resume a mais duas mãos de obra
Me usa, me gasta e me adoece
Consome o tempo, arranca-me a vida
Que responde sempre à concorrência
Estou sem alma, mas há mãos
Estou sem alma, mas sobrevivo
Estou sem alma, mas estou servindo
Estou sem alma, mas devo terminar o expediente.
Mais! Mais! Mais!
Grita a voz que mesmo calada, se faz ouvir
Que desafia sem gratificação final
E de prêmio veste as migalhas salariais
Somos nada e somos substituíveis
A substituição deve ser rápida para que o desperdício seja pouco
Que desapegada seja a máquina-homem da máquina-máquina
Que juntos produzam, mas esqueçam do que é produzido
Ainda que rolem dedos ou se forme o câncer
Ouve-se gritos: Mais! Mais! Mais!
O homem do primeiro turno já foi
Mas o do segundo turno precisa fixar o grito.
Os verdadeiros donos da produção não tem nome
Estão em maior número e força
Estão no pico de qualquer esforço
Mais ainda assim são vistos como força de trabalho, apenas
Espero o dia em que bravos homens
Que não enfraquecem por não terem o direito
Saibam que tem todo o direito sobre tudo que produzem
E são donos de suas almas, do seu descanso e deste mundo que os explora.
Nenhum comentário:
Postar um comentário