terça-feira, 30 de outubro de 2012

A Força do Explorado

Realidade que me resume a mais duas mãos de obra
Me usa, me gasta e me adoece
Consome o tempo, arranca-me a vida
Que responde sempre à concorrência

Estou sem alma, mas há mãos
Estou sem alma, mas sobrevivo
Estou sem alma, mas estou servindo
Estou sem alma, mas devo terminar o expediente.

Mais! Mais! Mais!
Grita a voz que mesmo calada, se faz ouvir
Que desafia sem gratificação final
E de prêmio veste as migalhas salariais

Somos nada e somos substituíveis
A substituição deve ser rápida para que o desperdício seja pouco
Que desapegada seja a máquina-homem da máquina-máquina
Que juntos produzam, mas esqueçam do que é produzido

Ainda que rolem dedos ou se forme o câncer
Ouve-se gritos: Mais! Mais! Mais!
O homem do primeiro turno já foi
Mas o do segundo turno precisa fixar o grito.

Os verdadeiros donos da produção não tem nome
Estão em maior número e força
Estão no pico de qualquer esforço
Mais ainda assim são vistos como força de trabalho, apenas

Espero o dia em que bravos homens
Que não enfraquecem por não terem o direito
Saibam que tem todo o direito sobre tudo que produzem
E são donos de suas almas, do seu descanso e deste mundo que os explora.

Depois da Visão

Existe muito no que pouco se vê,
E por tentar atravessar o campo não aparente
Sinto-me incluída no todo que não faço parte
E demasiadamente sou tomada por isso que não sei denominar.

'Para de trabalhar', grita a cansada consciência
Exausta por realinhar há dias as mesmas informações
Em todos os sentidos, mesmo os sem nexos
Reciclando mais do que se pode o invisível.

Ainda me parece que foi de trás para frente
O começo pela ponta errada da corda
O adentramento mútuo, veloz demais, repentino demais
Quando a luz não aparece como um nascer do dia, mas é indelicado como ligar uma tomada.

Análises, reflexões, deformações, reestruturações
E já tanto faz como foi enfeitado o caminho
No qual um passo a mais, te faz distanciar dois
Onde avançar é retroceder, só seguir me faz esquecer.
(19-08-2011)

terça-feira, 23 de outubro de 2012

* Olhar desatento, sem ver nada, úmido, espiando e procurando por razões do lado de dentro. 

Sem pedir permissão a sua dona, eles mantiveram-se assim. Eu poria esses traços inteiros 

tatuados em um lugar reservado, e faria desse teu silêncio o motivo d'eu querer ficar sempre

mais. Te entenderia, mesmo sem compreender, e pertencerias aos meus sorrisos radiantes

de felicidade. 

* Todo esse pacote, tu arranca-me numa  falta de atitude, quando me engradece, me inspira, 

me faz acreditar que a normalidade chegou pra ficar, e horas depois aparece sem trazer nos 

braços nem que seja um abraço, na boca palavras indiferentes, que me proíbo  debater. 

Como se em ti ou em mim ainda reinasse o espírito do desconhecido, e meu foco mantem-se

todo no esforço de consentir com um balançar de cabeça, tentando ser convincente, relutando 

contra o turbilhão de  ideias, que me indicavam levantar e sair dali o caminho seguro. Mas

não, essa seria minha saída da guerra , uma fuga indiscreta, e nesse conflito, a vitória fica

com quem mais se arrisca e menos sente (tecnicamente já  havia um resultado). 

* Tu me pusestes numa indecisão cruel, pessoas assim deveriam ter consigo uma placa 

informando extrema incoerência. No entanto tenho um ponto de interrogação na frente do

nariz, que me faz patética, confusa e de mãos amarradas, querendo que no amanhã tu venhas 

com algumas palavras significantes, esquecendo novamente que esse é mais um sinal de 

derrota. 

(17-02-2012)