Realidade que me resume a mais duas mãos de obra
Me usa, me gasta e me adoece
Consome o tempo, arranca-me a vida
Que responde sempre à concorrência
Estou sem alma, mas há mãos
Estou sem alma, mas sobrevivo
Estou sem alma, mas estou servindo
Estou sem alma, mas devo terminar o expediente.
Mais! Mais! Mais!
Grita a voz que mesmo calada, se faz ouvir
Que desafia sem gratificação final
E de prêmio veste as migalhas salariais
Somos nada e somos substituíveis
A substituição deve ser rápida para que o desperdício seja pouco
Que desapegada seja a máquina-homem da máquina-máquina
Que juntos produzam, mas esqueçam do que é produzido
Ainda que rolem dedos ou se forme o câncer
Ouve-se gritos: Mais! Mais! Mais!
O homem do primeiro turno já foi
Mas o do segundo turno precisa fixar o grito.
Os verdadeiros donos da produção não tem nome
Estão em maior número e força
Estão no pico de qualquer esforço
Mais ainda assim são vistos como força de trabalho, apenas
Espero o dia em que bravos homens
Que não enfraquecem por não terem o direito
Saibam que tem todo o direito sobre tudo que produzem
E são donos de suas almas, do seu descanso e deste mundo que os explora.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Depois da Visão
Existe muito no que pouco se vê,
E por tentar atravessar o campo não aparente
E por tentar atravessar o campo não aparente
Sinto-me incluída no todo que não faço parte
E demasiadamente sou tomada por isso que não sei denominar.
'Para de trabalhar', grita a cansada consciência
Exausta por realinhar há dias as mesmas informações
Em todos os sentidos, mesmo os sem nexos
Reciclando mais do que se pode o invisível.
Ainda me parece que foi de trás para frente
O começo pela ponta errada da corda
O adentramento mútuo, veloz demais, repentino demais
Quando a luz não aparece como um nascer do dia, mas é indelicado como ligar uma tomada.
Análises, reflexões, deformações, reestruturações
E já tanto faz como foi enfeitado o caminho
No qual um passo a mais, te faz distanciar dois
Onde avançar é retroceder, só seguir me faz esquecer.
(19-08-2011)
(19-08-2011)
terça-feira, 23 de outubro de 2012
* Olhar desatento, sem ver nada, úmido, espiando e procurando por razões do lado de dentro.
Sem pedir permissão a sua dona, eles mantiveram-se assim. Eu poria esses traços inteiros
tatuados em um lugar reservado, e faria desse teu silêncio o motivo d'eu querer ficar sempre
mais. Te entenderia, mesmo sem compreender, e pertencerias aos meus sorrisos radiantes
de felicidade.
* Todo esse pacote, tu arranca-me numa falta de atitude, quando me engradece, me inspira,
me faz acreditar que a normalidade chegou pra ficar, e horas depois aparece sem trazer nos
braços nem que seja um abraço, na boca palavras indiferentes, que me proíbo debater.
Como se em ti ou em mim ainda reinasse o espírito do desconhecido, e meu foco mantem-se
todo no esforço de consentir com um balançar de cabeça, tentando ser convincente, relutando
contra o turbilhão de ideias, que me indicavam levantar e sair dali o caminho seguro. Mas
não, essa seria minha saída da guerra , uma fuga indiscreta, e nesse conflito, a vitória fica
com quem mais se arrisca e menos sente (tecnicamente já havia um resultado).
* Tu me pusestes numa indecisão cruel, pessoas assim deveriam ter consigo uma placa
informando extrema incoerência. No entanto tenho um ponto de interrogação na frente do
nariz, que me faz patética, confusa e de mãos amarradas, querendo que no amanhã tu venhas
com algumas palavras significantes, esquecendo novamente que esse é mais um sinal de
derrota.
(17-02-2012)
Sem pedir permissão a sua dona, eles mantiveram-se assim. Eu poria esses traços inteiros
tatuados em um lugar reservado, e faria desse teu silêncio o motivo d'eu querer ficar sempre
mais. Te entenderia, mesmo sem compreender, e pertencerias aos meus sorrisos radiantes
de felicidade.
* Todo esse pacote, tu arranca-me numa falta de atitude, quando me engradece, me inspira,
me faz acreditar que a normalidade chegou pra ficar, e horas depois aparece sem trazer nos
braços nem que seja um abraço, na boca palavras indiferentes, que me proíbo debater.
Como se em ti ou em mim ainda reinasse o espírito do desconhecido, e meu foco mantem-se
todo no esforço de consentir com um balançar de cabeça, tentando ser convincente, relutando
contra o turbilhão de ideias, que me indicavam levantar e sair dali o caminho seguro. Mas
não, essa seria minha saída da guerra , uma fuga indiscreta, e nesse conflito, a vitória fica
com quem mais se arrisca e menos sente (tecnicamente já havia um resultado).
* Tu me pusestes numa indecisão cruel, pessoas assim deveriam ter consigo uma placa
informando extrema incoerência. No entanto tenho um ponto de interrogação na frente do
nariz, que me faz patética, confusa e de mãos amarradas, querendo que no amanhã tu venhas
com algumas palavras significantes, esquecendo novamente que esse é mais um sinal de
derrota.
(17-02-2012)
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